quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O acesso das empresas ao financiamento

No editorial da edição n.º 196 da revista “TecnoMetal”, o Presidente da Direcção da AIMMAP abordou aquele que é actualmente o tema prioritário para a sobrevivência de muitas empresas portuguesas: o acesso ao financiamento.

Na verdade, as empresas nacionais começam a ter graves problemas de liquidez, havendo o risco de algumas empresas economicamente sólidas poderem ser obrigadas a cessar a sua actividade por falta de financiamento.

Esta poderá vir a ser uma situação dramática e que urge combater.

Considerando a importância e a actualidade do tema, publica-se nas linhas subsequentes o texto do referido editorial.

"Financiamento das empresas

Afirmou publicamente o Ministro da Economia que o grande problema que as empresas portuguesas enfrentam actualmente é o da liquidez.
Contextualizou ainda nesse âmbito que a principal causa desse problema é o facto de muito do crédito ser absorvido pelo Estado e pelas empresas públicas.
E acrescentou a esse respeito textualmente o seguinte: “A secagem do crédito deve-se ao endividamento excessivo do Estado e das empresas públicas.”.
Pode referir-se sem quaisquer dúvidas que o diagnóstico está bem efectuado.
Mas terá de ousar acrescentar-se que a um Ministro pede-se mais do que um mero diagnóstico.
A economia reclama com urgência a tomada de decisões práticas e consequentes.
Temos consciência de que a banca portuguesa atravessa ela própria uma crise verdadeiramente histórica. E não temos quaisquer dúvidas de que nos próximos anos essa crise, ao invés de ser mitigada, corre o risco de acentuar-se.
Aliás é sabido que a banca necessita de desalavancar da economia largos milhares de milhões de euros que terão necessariamente de ser retirados do crédito às empresas. O que por si só contribuirá para o agravamento dos problemas da banca bem como das dificuldades de financiamento das empresas.
Mas se assim é, parece claro que mais urgente ainda se torna fazer alguma coisa de útil.
O governo tem de agir imediatamente. E se a principal causa da secagem do crédito reside no endividamento excessivo do Estado e das empresas públicas – como o próprio governo o reconhece -, deverá ser exactamente por aí que a intervenção do governo terá de começar.
Ora, há propostas concretas apresentadas publicamente pela CIP que visam contribuir para o financiamento das empresas. E pelo menos uma delas incide exactamente neste ponto. Tal proposta é precisamente a seguinte: Criação de soluções de financiamento para o sector público (incluindo empresas públicas) que permitam efectuar o reembolso à banca de parte das respectivas dívidas, no quadro dum acordo entre o Governo e os bancos envolvidos em que estes se comprometam a canalizar esses recursos financeiros para o financiamento das empresas de bens e serviços transaccionáveis, ou seja, as que exportam e as que contribuem para a redução competitiva das importações.
No quadro em que a economia portuguesa se encontra, esta é uma medida verdadeiramente urgente e que para sua implementação carece essencialmente de vontade política.
Bem sabemos que não há nesta matéria soluções fáceis. Mas melhor ainda sabemos que, no momento que atravessamos, caso não saibamos implementar as soluções menos fáceis dificilmente teremos futuro.
Para quem ainda não percebeu, poderemos estar a falar da nossa própria sobrevivência enquanto economia livre e autónoma e talvez mesmo enquanto nação soberana.
O Presidente da Direcção
Aníbal Campos"


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Aumento das exportações

No editorial da edição n.º 195 da revista “TecnoMetal”, o Presidente da Direcção da AIMMAP fez referência ao facto muito positivo de as exportações portuguesas estarem a aumentar de uma forma geral, tendo sublinhado muito particularmente a circunstância de o aumento em causa ser ainda mais acentuado no sector metalúrgico e metalomecânico.

Enfatizou igualmente que também no lado das importações, embora continuem as mesmas a crescer, a evolução da tendência nos bens e produtos metalúrgicos e metalomecânicos é mais positiva do que no resto da economia.

Esta boa performance do sector traduz-se assim em duas vertentes: (1) aumento grande das exportações; (2) substituição de produtos importados por produtos nacionais.

Tendo em conta a importância e a actualidade do assunto, publica-se nas linhas subsequentes o texto do referido editorial.

"Exportações e substituição de importações

A AIMMAP fez um pequeno estudo sobre as taxas de crescimento das exportações e importações portugueses nos meses de Janeiro a Maio de 2011.
No que concerne às exportações, as taxas de crescimento foram as seguintes:
- Sector metalúrgico e metalomecânico: 20,4%
- Indústria transformadora: 19,2%
- Total nacional: 18%
Já no que se refere às importações, os crescimentos foram os seguintes:
- Metalurgia e metalomecânica: 3,8%
- Indústria transformadora: 8,1%
- Total nacional: 10,5%
Estes dados permitem a extracção de conclusões muito interessantes.
Em primeiro lugar, verifica-se que as exportações globais do país estão a crescer mais do que as importações, o que, para além de uma boa notícia, prenuncia a inversão de um ciclo.
Por outro lado, constata-se que as exportações da indústria transformadora em geral crescem a um ritmo mais elevado que as do país. E ainda acresce que, no quadro da indústria transformadora, o sector metalúrgico e metalomecânico cresce acima da média.
No que concerne às importações, as taxas de crescimento escalonam-se pela ordem exactamente inversa: a do total nacional é superior à da indústria transformadora e dentro desta, os produtos do sector metalúrgico e metalomecânico são os que menos crescem.
Significa o exposto que tanto no capítulo das exportações como no da substituição das importações, o sector metalúrgico e metalomecânico é claramente o que melhor está a corresponder ao enorme desafio que as dificuldades do país têm efectuado ao mundo empresarial.
Com efeito, tal como é sabido, este sector é de longe o que mais exporta em Portugal, representando bem mais de uma quarta das vendas do país ao exterior.
Mas ainda assim, é aquele cujas exportações mais crescem, mantendo e reforçando a sua liderança nesse domínio.
Por outro lado, o aumento das importações de produtos do sector metalúrgico e metalomecânico pelo país é muitíssimo menor do que o da média nacional e mesmo o da média da indústria transformadora.
Não temos dúvidas de que assim sucede porque o sector está a investir igualmente na substituição de importações. E esperamos inclusivamente que, no próximo ano, pela primeira vez desde há muito, haja uma redução das importações no que concerne aos produtos e equipamentos metalúrgicos e metalomecânicos.
Todos estes números, bem como as ilações que lhes estão associadas, devem ser tidos em conta quando o governo português tomar opções políticas de apoio à economia e à actividade empresarial.
Não adianta apostar em sectores moribundos e sem potencial de crescimento e/ou competitividade.
Ora, os números apontam rumos claros: vale a pena apostar na indústria transformadora. E dentro desta, há sectores que justificam uma atenção muito especial, como é o caso da indústria metalúrgica e metalomecânica.
O Presidente da Direcção
Aníbal Campos"

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Internacionalização

No editorial da edição n.º 194 da revista “TecnoMetal”, o Presidente da Direcção da AIMMAP anunciou pronunciou-se sobre algumas medidas propostas pela CIP para incremento da internacionalização das empresas portuguesas.

Considerando o interesse do assunto, publica-se nas linhas subsequentes o texto do referido editorial.

"Internacionalização

O aumento das exportações portuguesas é um desafio absolutamente vital para a nossa economia.
Foi nesse âmbito apontado pelo governo anterior, como um verdadeiro desígnio nacional, o reforço do peso das exportações, até ao ano de 2020, para valores superiores a 40% do PIB.
Independentemente da mudança recente de governo, essa meta terá de continuar a ser o mais importante objectivo estratégico do país, embora sem perder de vista, de forma concomitante, um investimento acrescido na substituição de importações.
Temos vindo a reiterar que, no nosso entendimento, é às próprias empresas que cabe a principal quota-parte no esforço a todos exigido no sentido de se aumentarem as exportações.
Nesse sentido, devem as empresas prosseguir a implementação de estratégias de afirmação de excelência e qualidade, visto que apenas assim poderão ser realmente competitivas nos mercados mais importantes e exigentes.
Há pois que continuar a investir na formação, na propriedade industrial, na certificação, na inovação ou na investigação e desenvolvimento.
Ao Estado pede-se essencialmente que, pelo menos, não atrapalhe. Mas também lhe incumbe criar um ambiente amigável à actividade empresarial, o que apenas pode ser concretizado se estiver próximo das empresas.
A CIP apresentou recentemente, ainda antes do acto eleitoral do passado dia 5 de Junho, um conjunto de propostas para o programa do novo governo.
Nesse excelente documento poderão ser encontradas inúmeras propostas que, no caso de virem a ser adoptadas pelo poder político, contribuirão seguramente para que a economia portuguesa seja dinamizada.
Sem prejuízo da relevância de muitas outras, gostaria de sublinhar nesta oportunidade, muito particularmente, algumas das propostas veiculadas naquele documento tendo em vista uma melhor operacionalização dos esforços a fazer pelas empresas no domínio da internacionalização.
E para melhor compreensão, nada melhor do que as transcrever neste editorial:
- Maior articulação da rede externa da AICEP e das Embaixadas e reforço da relação destas com as empresas, dando um cariz verdadeiramente substantivo e eficaz à chamada diplomacia económica;
- Participação de representantes empresariais na administração da AICEP;
- Promover o reforço do papel da iniciativa privada, nomeadamente das associações empresariais e das grandes empresas, no desenvolvimento de acções de promoção e apoio à internacionalização de PME’s;
- Apoio à criação e funcionamento de redes de cooperação empresarial, em particular consórcios para exportação.
São sugestões de fácil aplicação e que em grande parte visam precisamente contribuir para uma maior proximidade entre as empresas e as entidades públicas que têm o encargo de as apoiar.
O Estado tem de compreender cabalmente aquilo que é melhor para as empresas. E para isso não pode cair na tentação verdadeiramente totalitária de se arrogar no direito de ser o principal dono da razão.
O Presidente da Direcção
Aníbal Campos"

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Congresso do sector metalúrgico e metalomecânico

No editorial da edição n.º 193 da revista “TecnoMetal”, o Presidente da Direcção da AIMMAP anunciou a realização de um Congresso do sector metalúrgico e metalomecânico no próximo mês de Outubro.

Atendendo à importância do assunto, publica-se nas linhas subsequentes o texto do referido editorial.

"Congresso do sector metalúrgico e metalomecânico

Foi realizado no passado mês de Fevereiro, em Santa Maria da Feira, com o importante patrocínio do Governo, um Congresso de Exportações.
Chamou à atenção de muitos a circunstância de o sector metalúrgico e metalomecânico ter sido alvo de reduzida atenção no referido evento.
Com efeito, apenas alguns dos seus subsectores – como os fabricantes de componentes para a indústria automóvel, os moldes e os fabricantes de materiais de construção -, tiveram honras de atenção no Congresso.
Este aparente esquecimento seria surpreendente, até porque o nosso sector é, no seu conjunto, o principal responsável pelas exportações nacionais.
Na verdade, no ano de 2010, de um total de trinta e sete mil milhões de euros de volume global das exportações portuguesas, quase onze mil milhões resultaram das vendas do sector para o exterior.
Este sector tem pois uma notável vocação exportadora, sendo assim as suas empresas merecedoras de uma maior aposta nesse domínio por parte do Estado português.
Ora, é importante que as pessoas sejam devidamente esclarecidas a este respeito. Ao contrário das aparências, neste caso concreto, o nosso sector não foi esquecido pelas autoridades. Pelo contrário, são cada vez mais visíveis os sinais de que finalmente a administração pública e o próprio poder político estão a ficar conscientes da real importância do sector metalúrgico e metalomecânico para o futuro de Portugal.
E tanto assim é que irá ser realizado ainda este ano um novo Congresso, dedicado exclusivamente ao grande sector do metal, e no qual os assuntos relacionados com as exportações terão um grande destaque.
Este sector é tão vasto, tão heterogéneo e tão importante que justifica por si só que lhe seja dedicado em exclusivo um evento, não só sobre exportações como também a propósito de outros temas de grande relevância. E é precisamente isso que será efectuado.
Está previsto que esse Congresso seja levado a efeito no próximo mês de Outubro.
A responsabilidade pela respectiva organização será liderada pela AICEP, pela AIMMAP e pela ANEMM, as quais contarão seguramente com outras entidades de suporte ao sector como, nomeadamente, o CATIM, o CENFIM e a PRODUTECH.
Estou convicto de que esta iniciativa terá um grande impacto em Portugal e que será um excelente momento para que se discutam, para além de outros temas de inquestionável importância, as estratégias de internacionalização do sector metalúrgico e metalomecânico.
Será pois fundamental que venha a haver uma significativa adesão por parte das empresas exportadoras do nosso sector.
Contamos com todos para ajudar a lutar pelo sucesso de Portugal.

O Presidente da Direcção
Aníbal Campos"


quarta-feira, 30 de março de 2011

Oportunidades de negócio para o sector

No editorial da edição n.º 192 da revista “TecnoMetal”, o Presidente da Direcção da AIMMAP alertou para o facto de haver oportunidades de negócio interessantes para os fabricantes de máquinas portuguesas.

Este é um tema de grande actualidade e oportunidade. Pelo que se publica nas linhas subsequentes o texto do referido editorial.

"Oportunidades para a indústria metalomecânica portuguesa

Como bem sabe quem conhece minimamente a realidade industrial, uma grande parte das empresas portuguesas do sector metalúrgico e metalomecânico desde há muitos anos que tem instaladas máquinas de fabrico europeu e nomeadamente italiano.
As máquinas de origem europeia sempre tiveram uma grande procura e aceitação na indústria mundial, nomeadamente no sector da metalomecânica.
Em Portugal é incontável o número de empresas que sempre se abasteceram junto da oferta europeia – e italiana em particular.
Mas quem conhece bem as nossas empresas já se apercebeu perfeitamente das dificuldades com que as mesmas se estão a confrontar quando precisam de recorrer aos seus fornecedores habituais para renovação dos equipamentos, substituição de componentes ou simples reparações.
A crise mundial afectou gravemente os produtores de tecnologia em muitos países da Europa ocidental. O número de insolvências ou simples encerramentos de empresas em tais paíese é verdadeiramente assustador. Seja em termos absolutos ou apenas em termos relativos, o panorama é nesse âmbito bem mais grave do que em Portugal.
Sendo as nossas empresas clientes tradicionais dos fabricantes europeus, há aqui motivos para alguma apreensão. A questão é muito simples: onde é que poderemos passar a comprar as máquinas de que precisamos?
Os mais cínicos responderão a tal pergunta com uma aparente evidência, recordando o caso da China.
Essa resposta simples levar-nos-ia porém para outro tipo de considerações que não interessa estar agora a detalhar.
E em qualquer circunstância, entendo que essa jamais poderia ser a solução mais adequada para os interesses nacionais.
Pelo contrário, estou convicto de que a redução da oferta europeia poderá ser uma excelente oportunidade de crescimento para a indústria de bens de equipamento em Portugal.
Se nos empenharmos verdadeiramente, teremos todas as condições para ocupar, pelo menos parcialmente, os espaços que a concorrência europeia vai libertando, tanto no mercado português como inclusivamente em vários outros países europeus.
A indústria metalúrgica e metalomecânica nacional é de longe o sector que mais contribui para as exportações de Portugal.
Mas é importante termos consciência de que as importações de produtos do mesmo sector são também muito significativas.
Daqui resulta que há um grande espaço para a nossa indústria crescer no próprio mercado doméstico.
O subsector dos fabricantes de máquinas é seguramente um daqueles em que mais margem existe para a substituição de importações.
Considerando as fragilidades actuais de alguns países produtores de máquinas, esse é inequivocamente um segmento em que o país deve pensar para crescer.
Cabe-nos a todos contribuir para esse objectivo de crescimento. Nesse âmbito, é fundamental que as empresas do sector desenvolvam mais acções de cooperação entre si e com as entidades de suporte a que podem e devem recorrer. A PRODUTECH – de que a AIMMAP e o CATIM são associados fundadores -, deve ser identificada como um parceiro extraordinário das empresas fabricantes de máquinas portuguesas nesse domínio.
Sejamos criativos e empreendedores pois a oportunidade de negócio é aqui bem real. Para benefício da nossa indústria e fundamentalmente da economia nacional.

O Presidente da Direcção

Aníbal Campos"

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A eventual redução da taxa social única

No editorial da edição n.º 191 da revista “TecnoMetal”, o Presidente da Direcção da AIMMAP lamentou que tenha sido imposto um aumento do IVA para 23% sem que ao mesmo tempo tivesse havido o cuidado de reduzir as contribuições patronais para a segurança social, conforme tinha sido aconselhado pela OCDE.

Sugeriu de igual modo que, sendo já tarde para que essa redução possa ser efectuada em 2011, se comece a estudar a melhor forma de a implementar em 2012.

Atendendo à importância do assunto, publica-se nas linhas subsequentes deste blogue o editorial em causa.

"Contribuições para a segurança social

Finalmente, o Estado parece começar a entender que é urgente proceder à redução da despesa pública.
Nesse sentido, a Lei do Orçamento entretanto aprovada para o ano de 2011 tem ínsito um conjunto de medidas no sentido de cortar gorduras ao Estado.
Infelizmente, tendo em conta o estado quase calamitoso das contas públicas, o défice orçamental não poderá ser combatido apenas com a redução da despesa, estando pois também projectadas algumas medidas de aumento da receita.
Nesse âmbito a medida mais emblemática e porventura aquela que mais sacrifícios irá impor às empresas e às famílias é o aumento da taxa do IVA para 23%.
Para defesa da pertinência dessa medida, o governo português invocou convenientemente um relatório da OCDE no qual se sustentava a indispensabilidade de tal aumento do IVA.
Essa invocação foi todavia cirúrgica. Na verdade, no mesmo relatório em que aconselhou o aumento do IVA, a OCDE advogou igualmente que, em contrapartida, fossem reduzidos os encargos devidos pelas entidades empregadoras em sede de Segurança Social.
Conforme sublinhou, essa seria uma medida importante para aumento do emprego e para reforço da competitividade das empresas portuguesas.
Lamentavelmente, o governo português ignorou esta parte do relatório da OCDE. E esqueceu que, não sendo criadas condições para um real crescimento económico, as medidas de consolidação orçamental poderão vir a ficar seriamente comprometidas.
Não penso porém que devamos conformar-nos com estas opções de política económica do governo português.
Pelo contrário, entendo que deveremos insistir no sentido de que seja dado cumprimento à segunda parte das sugestões da OCDE.
É certo que, para 2011, depois de aprovado o respectivo Orçamento, será já difícil proceder-se a qualquer redução da taxa social única.
Mas mesmo que assim seja, tratemos ainda assim de começar a preparar convenientemente o exercício de 2012.
É verdadeiramente fundamental que os encargos patronais para a segurança social sejam reduzidos de forma significativa.
Essa será a melhor forma de promover a criação de postos de trabalho, combatendo-se com critério o aumento do desemprego.
Para além disso, quando é certo que o aumento das exportações se assume com cada vez maior prioridade como um verdadeiro desígnio nacional, estou convicto de que essa será a melhor forma de se aumentar a competitividade das nossas empresas exportadoras nos mercados globais.
As empresas estão cada vez mais exauridas nas suas tesourarias. O aceso ao financiamento bancário é cada vez mais difícil. Pelo que, para muitas delas, caso não haja redução dos encargos, as únicas alternativas nos respectivos processos de sobrevivência passarão seguramente por despedimentos e/ou reduções salariais.
O que, naturalmente, seria muito pior para todos.

O Presidente da Direcção
Aníbal Campos"